O "P" da integração

O “P” da integração na Cibrapa

A tecnologia e os ganhos culturais da ILP contribuem para o fim dos maiores gargalos no manejo de cria

Fazer uma nulípara, que é a fêmea jovem ainda virgem, emprenhar cedo, parir, criar e desmamar bem o bezerro, tanto quanto conseguir que a primípara, a matriz de primeira cria, entrar e levar a termo a segunda gestação com êxito, estão entre os maiores desafios da atividade pecuária de cria e recria. 

Na Fazenda Cibrapa, a unidade mato-grossense do criatório Carpa Serrana, esse obstáculo vem sendo superado com uso de tecnologia e com um sistema de manejo integrado que prioriza a produção pecuária aproveitando ao máximo as vantagens conferidas pela cultura da soja. O número de fêmeas em reprodução gira em torno de 11 mil cabeças. O maior volume de machos nascidos no rebanho comercial é vendido integralmente no leilão Mega Carpa, que acontece tradicionalmente no mês de setembro. 

Já as fêmeas são recriadas com a maior atenção e no melhor ambiente disponível na Cibrapa, que são os piquetes remanescentes das áreas de ILP. “Atualmente temos uma área de 2.200 ha de soja, e consideramos que aproximadamente 70% desses pastos estão aptos a serem usados como pasto de seca. Conseguimos formar, revezando a gramínea e oleaginosa, pastagens de qualidade superior comparadas aquelas que são normalmente encontradas no Vale do Araguaia”, diz o gerente de pecuária da Cibrapa, Marcos Junqueira Cardoso.

Na fase mais produtiva as pastagens atingem até 14% no índice PB (Proteína Bruta) na matéria original. Este manejo com as novilhas faz com que elas entrem na fase reprodutiva mais cedo e com melhor desempenho. Em um estudo desenvolvido há pouco tempo na Cibrapa, durante o período de uma estação de monta, foi registrada uma taxa de prenhez de 86%, com 68% das matrizes entouradas e prenhes confirmada nos primeiros 60 dias do serviço. No núcleo de primíparas o impacto dos vários ganhos da ILP é ainda mais impressionante. O incremento apontado na pesquisa foi da ordem de 18%, elevando o índice de prenhez para 70%. 

“As novilhas virgens passam na ILP duas vezes. Na desmama e antes de entrarem na estação de monta. Nos intervalos dessas etapas garantimos uma condição favorável no confinamento e nos retiros convencionais para a vida delas seguir tranquila. Antes de fechar dois anos elas vão para a fase de reprodução de forma natural e são entouradas sem artificialismos, pois já conseguiram um escore corporal melhor graças à genética e a esse manejo que fomos estabelecendo com a experiência e o conhecimento da região. Os dois momentos que as bezerras passam pela ILP são fundamentais para consolidar o desenvolvimento delas em fases que seriam críticas por causa dos meses sem chuva. Na Cibrapa só usamos touros Carpa e monta natural”, explica Junqueira.

Aliar a genética melhoradora 100% Nelore da Carpa à condição vantajosa estabelecida pelo sistema integrado tem se mostrado uma ótima opção do criatório. “Os resultados da reprodução das primíparas e do sucesso na reconcepção gestação são motivo de orgulho para a nossa equipe. Esse início da vida reprodutiva das fêmeas é um dos principais gargalos da pecuária de cria e nós o superamos. As novilhas parem muito bem na primeira concepção e os bezerros delas não ficam devendo nada aos contemporâneos que nascem das multíparas”, diz o gerente de pecuária da Carpa Serrana, Luis Otávio Pereira Lima. 

As áreas com ILP representam 20% do total de áreas abertas da propriedade. Os piquetes estabelecidos no sistema de Integração Lavoura-Pecuária que antes eram de 100 ha quadruplicaram de tamanho para conciliar o manejo do rebanho com o da soja.